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Por que temos cada vez menos água?

ESTEVÃO VERNALHA E JOCELINE OLIVATO


O volume de água disponível em rios, lençóis freáticos e aquíferos subterrâneos é cada vez menor – e o comportamento humano é o principal responsável por essa redução.


Reservatório do Sistema Cantareira (SP) durante a crise hídrica de 2014-2015

Fonte: Agência Brasil – EBC


A grande maioria da água do planeta não é adequada ao consumo humano, ou não é acessível. 97% é água salgada do mar e outros 2,5% referem-se à água doce congelada (em geleiras e calotas polares).


Fonte: ANA – Agência Nacional de Águas


Apenas 0,5% pode ser considerada água doce disponível para o consumo humano. Estamos falando principalmente de rios, lençóis freáticos, aquíferos subterrâneos e alguns lagos. É somente destes poucos compartimentos naturais que o ser humano consegue captar um volume de água suficiente para realizar o adequado abastecimento da sociedade. Mas a quantidade de água disponível nestes locais tem sido cada vez menor.


Meio Ambiente “produz” cada vez menos água

O comportamento humano é o principal responsável por essa redução:


Fonte: Guia do Estudante

Desmatamento – quando uma área sofre supressão vegetal (desmatamento), perde-se o processo de evapotranspiração das plantas, que transfere água para a atmosfera e contribui para a formação das chuvas. Compromete-se, assim, o padrão de chuvas.


Fonte: creepypastabrasil

Além disso, as árvores amortecem o impacto da chuva, fazendo com que a água chegue até o solo por gotejamento, facilitando a infiltração. No solo, as raízes das árvores possibilitam que a água atinja regiões profundas, carregando o subsolo e os lençóis freáticos adequadamente. Quando estes compartimentos estão carregados, conseguem abastecer o rio durante os períodos de estiagem, em que não há chuvas.

Sem as árvores, a chuva atinge o solo diretamente, sem ter sua energia dissipada anteriormente pela copa das árvores. Dessa forma, a água não consegue infiltrar no solo e escoa superficialmente, deixando o subsolo e os lençóis freáticos desabastecidos. Assim, no período de estiagem não há água nestes compartimentos para alimentar os rios, contribuindo para a geração de crises hídricas (escassez de água).


Fonte: brrecicla.com.br

Impermeabilização do solo – materiais de pavimentação que impermeabilizam o solo (como asfalto e concreto) dificultam ainda mais a infiltração da água. Desta forma, o abastecimento do subsolo e dos lençóis freáticos fica ainda mais comprometido, e a capacidade destes compartimentos recarregarem os rios durante os períodos de estiagem se torna ainda menor.


Fonte: fernandodesouza.com

Canalizações agressivas e entubamentos – canalizações de córregos promovidas de forma agressiva (com supressão vegetal, mudança no curso natural do córrego, revestimento com materiais impermeáveis, etc.) e o entubamento (enterramento do córrego com tubos de concreto) alteram drasticamente o ciclo hidrológico do local e também atrapalham fortemente o abastecimento do subsolo e dos lençóis freáticos (contribuindo ainda mais para a escassez de água nos rios durante os períodos sem chuva).


Fonte: blog.brkambiental.com.br

Efeito estufa e mudanças climáticasa intensificação do efeito estufa causada por atividades humanas que emitem grandes quantidades de gases do efeito estufa (principalmente a atividade pecuária e a queima de combustíveis fósseis) estão provocando mudanças climáticas que trazem graves efeitos para o ser humano – como as alterações nos ciclos hidrológicos que têm gerado períodos de seca cada vez mais frequentes e mais intensos.


Como estamos utilizando essa água ( cada vez mais rara ) ?

Não estamos utilizando essa água com a responsabilidade e a eficiência que a urgência da questão exige:


Alimentos que consomem muita água na produção – o setor agropecuário é aquele que mais consome água no mundo – cerca de 70% de todo o consumo, segundo a ONU. Era de se esperar, por ser o principal setor responsável pela produção de alimentos. Contudo, alguns alimentos necessitam de uma quantidade de água exorbitantemente maior que a maioria para serem produzidos – como é o caso da carne bovina, o alimento que consome mais água para cada unidade de caloria que oferece.


Fonte: Los Angeles Times


Se pensarmos na quantidade de água consumida para cada unidade de proteína fornecida, a carne bovina também está no topo, juntamente com a carne de carneiro.


Fonte: Los Angeles Times


Essa grande quantidade de água consumida para a produção da carne bovina se dá, em grande parte, por conta da produção dos alimentos e suplementos fornecidos aos animais (principalmente o gado confinado – já o gado criado de forma extensiva tem como um dos principais impactos o desmatamento).


Desperdício na agricultura – além da escolha dos alimentos que ingerimos, outro fator que contribui fortemente para o consumo excessivo de água são técnicas inadequadas de irrigação, que desperdiçam cerca de 60% da água utilizada na agricultura, segundo a ONU.


Indústria e residências – certamente estes dois setores também têm de redobrar os esforços para que a utilização da água ocorra da forma mais eficiente possível e sem desperdícios. Contudo, são setores que consomem um volume de água significativamente menor que o setor da agropecuária, com o setor industrial respondendo por 22% do consumo e o setor domiciliar por 8% (ONU).


Poluição – A agropecuária também desponta como o setor que mais polui a água, sobretudo em função dos fertilizantes e agrotóxicos que os métodos convencionais de agricultura utilizam e dos dejetos produzidos pelo gado. Na indústria, destacam-se setores como do petróleo, da mineração e têxtil. Já com relação às residências, a poluição das águas se dá em grande parte em função dos produtos de limpeza convencionais utilizados para higienização das casas (detergente, sabão em pó, etc.), por conta dos agentes químicos contidos nestes produtos.


Quando realizamos a limpeza em nossas casas, grande parte da água misturada com os produtos de limpeza é coletada por ralos e tubulações diretamente conectados ao sistema de escoamento de águas pluviais. Dessa forma, as toxinas presentes nestes produtos são carreadas diretamente para os rios sem qualquer tipo de tratamento (diferentemente do que ocorre com a rede de esgoto). Assim, esses tóxicos acabam poluindo e comprometendo a água.


O fato de a Biowash utilizar somente insumos naturais em seus produtos ajuda a proteger os recursos hídricos. Como estes produtos são feitos somente à base de matéria-prima biodegradável, o próprio meio ambiente consegue degradá-los e reincorporar seus elementos nos ciclos naturais. Assim, evita-se a poluição das águas com os insumos tóxicos presentes nos produtos de limpeza convencionais.



Estevão Brasil Vernalha | Gestor Ambiental, Especialista em Gerenciamento do Meio Ambiente (USP), Mestre em Planejamento de Sistemas Energéticos (Unicamp)

Joceline Olivato | Publicitária e Jornalista



Referências:

Agência Nacional de Águas – Quantidade de Água Doce no Mundo - https://www.facebook.com/anagovbr/photos/de-toda-a-%C3%A1gua-existente/1069548679812709/

Los Angeles Times - Water leaves a ‘footprint’ in our food; here’s how it works - https://www.latimes.com/visuals/graphics/la-g-food-water-footprint-20150410-htmlstory.html







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